Reprodução do canário: guia para criar com sucesso em casa
Guia prático e veterinário sobre a reprodução do canário doméstico: quando criar, como preparar a gaiola, alimentação e cuidados dos filhotes passo a passo.

Criar canários em casa é uma das experiências mais gratificantes para qualquer entusiasta de aves ornamentais. O canário doméstico (Serinus canaria domestica) reproduz-se em cativeiro há mais de 500 anos, e hoje existem dezenas de variedades de cor, canto e postura. Mas o facto de ser uma prática difundida não significa que seja simples: a criação exige preparação, paciência e respeito pelos ritmos da ave.
Este guia percorre todo o processo, desde a seleção do casal até ao desmame dos filhotes, com dados concretos e critérios de maneio comprovados.
Quando se reproduzem os canários
A época de criação do canário no hemisfério norte vai de março a julho, coincidindo com o aumento das horas de luz e a subida das temperaturas. Em condições controladas de interior, muitos criadores antecipam a criação para fevereiro através de iluminação artificial que simule 14 horas de luz por dia.
Os sinais de que o casal está pronto são claros:
- O macho canta com mais intensidade e frequência.
- A fêmea rasga o papel do fundo da gaiola e transporta fios de material no bico.
- Ambos apresentam cloaca inchada e avermelhada.
Como escolher o casal reprodutor
Para a criação de canários em casa convém selecionar exemplares entre 1 e 4 anos, saudáveis, sem excesso de peso e sem defeitos na plumagem. Evite cruzar irmãos: a consanguinidade enfraquece a descendência.
Um canário reprodutor saudável pesa entre 18 e 24 gramas, tem a plumagem compacta e brilhante, e respira sem ruídos. Se tiver dúvidas sobre o estado de saúde de uma ave, consulte um veterinário especializado em aves antes de a colocar em criação.
Gaiola de criação para canários: medidas e equipamento
A gaiola de criação ideal mede 60 x 30 x 40 cm no mínimo para um casal. Deve incluir:
- Separador central móvel para apresentar o casal gradualmente.
- Ninho de plástico ou vime de 10-12 cm de diâmetro, fixado em zona alta e tranquila.
- Material de nidificação: fibra de coco, juta ou algodão curto (nunca fios longos, podem estrangular).
- Dois comedouros e dois bebedouros, um para cada exemplar enquanto estiverem separados.
- Banheira duas ou três vezes por semana; o banho mantém a humidade da plumagem e favorece a incubação.
Coloque a gaiola num local sem correntes de ar, com temperatura estável de 18-22 °C e humidade de 50-60%.
Acasalamento de canários: como apresentar o casal
Instale o macho e a fêmea em compartimentos contíguos separados por grade durante 7-10 dias. Quando a fêmea começar a transportar material e o macho a alimentar através das grades, retire o separador.
A cópula dura poucos segundos e repete-se várias vezes por dia. Em 4-7 dias a fêmea começa a postura.
Postura e incubação dos ovos de canário
A fêmea põe entre 3 e 5 ovos, um por dia, sempre de manhã cedo. Muitos criadores retiram cada ovo e substituem-no por um artificial, guardando os reais num recipiente com painço a 15 °C. No dia em que aparece o quarto ovo, devolvem-se todos: assim os filhotes nascem ao mesmo tempo e não há irmãos mais velhos a monopolizar a comida.
A incubação dos ovos de canário dura 13-14 dias. Só a fêmea incuba; o macho alimenta-a. Não manipule o ninho mais do que o estritamente necessário e evite ruídos fortes durante este período.
Nascimento e primeiros dias dos filhotes
Os filhotes nascem cegos e com pouca penugem. Pesam apenas 1,5-2 gramas. A fêmea alimenta-os com papas regurgitadas que ela própria produz a partir da pasta de criação.
Aos 5-6 dias abrem os olhos. Aos 12-14 dias surgem as primeiras penas. E por volta dos 18-21 dias abandonam o ninho, embora o macho continue a alimentá-los mais uma semana.
Alimentação de canários reprodutores e filhotes
Durante toda a criação, a dieta deve ser reforçada. A base de mistura de sementes (alpista, níger, nabo-forrageiro) complementa-se com:
- Pasta de criação diária, seca ou humedecida, rica em proteína (18-20%).
- Ovo cozido ralado duas vezes por semana.
- Verdura fresca: folha de dente-de-leão, endívia, brócolos em pequenas quantidades.
- Grit e osso de sépia sempre disponíveis para o aporte de cálcio.
- Germinados de alpista uma vez por semana.
Os filhotes comem exclusivamente o que os pais lhes regurgitam nos primeiros 15 dias. A partir do desmame, começam a debicar pasta mole e sementes descascadas.
Erros comuns ao criar canários
- Colocar o casal cedo demais, antes de a fêmea mostrar interesse.
- Manipular o ninho com frequência, provocando abandonos.
- Iluminação insuficiente: menos de 12 horas de luz travam a criação.
- Dieta pobre em proteína, que causa ovos claros ou filhotes fracos.
- Reutilizar o mesmo ninho sem desinfetar entre ninhadas (favorece os ácaros).
Se detetar plumagem eriçada, diarreia ou falta de apetite em qualquer exemplar, recorra ao veterinário. Tal como acontece com outras aves domésticas e de aquário, a automedicação em canários é perigosa.
Quantas ninhadas por ano
Uma fêmea saudável pode criar 2 ou 3 ninhadas por época. Para além disso, esgota as suas reservas de cálcio e encurta a sua vida reprodutiva. Ao terminar a última postura, retire o ninho e volte à dieta de manutenção.
Perguntas frequentes
Quantos ovos põe um canário? Entre 3 e 5 por ninhada, um por dia. É habitual que o primeiro seja infértil.
Quanto tempo demora a nascer um canário? A incubação dura 13-14 dias desde que a fêmea começa a chocar a sério, normalmente depois de pôr o terceiro ovo.
Com que idade se separam os filhotes dos pais? Entre os 28 e 35 dias de vida, quando já comem sozinhos e descascam sementes sem ajuda.
Posso criar canários num apartamento pequeno? Sim. Precisa de uma gaiola adequada, luz natural ou artificial regulável e um canto tranquilo. O canto do macho pode ser intenso: tenha-o em conta se vive num espaço partilhado.
É legal criar canários em Espanha? Sim. O canário doméstico não está protegido pela CITES e a sua criação para fins particulares é legal. Se vender exemplares habitualmente, deverá registar-se como núcleo zoológico segundo a regulamentação autonómica.



